Falta pouco pra nascer essa besta feroz chamada HQ XXI.
Um quadrinho de fôlego, 220 PÁGINAS, cuspindo vísceras no fim do mundo.
Roteiro e desenho de Diego El Khouri , o outsider da Galáxia de Parnaso — feito com toda a intensidade possível, acreditando ser seu último trabalho artístico produzido nesta vida.
Nada contido. Nada seguro.
Roteiro brutal e sangrento de Fabio da Silva Barbosa, editor do zine Reboco Caído.
Diagramação cuidadosa e potente de Lívia Batista , idealizadora do Mova-se Projetos Culturais.
HQ XXI expõe as chagas: fé apodrecida, carne em colapso, século sinistro em convulsão.
O projeto Ruas e Cores – Hip-Hop em Tela têm como objetivo valorizar a cultura hip-hop na nossa sociedade goiana. E, como forma de começar esse movimento, nada melhor do que realizar a primeira mostra no Museu das Bandeiras, um espaço cheio de significado.
O hip-hop nasce da rua, das vivências, das histórias e da força de quem transforma a realidade em arte.
O Museu das Bandeiras, por sua vez, é um lugar que já foi cadeia há muitos anos, onde pessoas eram presas e viviam situações difíceis. É um espaço marcado da presença e resistência da população negra.
Por isso, levar o hip-hop para dentro desse museu tem muita potência. É o movimento saindo da rua e ocupando um lugar histórico, mostrando o valor da cultura, das pessoas e de quem faz essa história acontecer todos os dias.
Jards Macalé (1943–2025) transmutou-se em poesia. Atravessou o Lete, o rio do esquecimento, mas sua arte permanecerá viva sempre. Esse cancioneiro, outsider da contracultura, o malandro que virou a MPB do avesso, deixou marcas profundas em todos nós: vagabundos de almas sensíveis, transgressivas e imorais. Fez da dissonância um tapa na cara e do violão um estilingue. Macalé não canta pra agradar: canta pra cutucar. Sua melodia torta ecoa em nossos ouvidos e, a cada acorde musical, nossa vida se transforma. Um dia eu li em algum lugar: o homem morre e a obra fica. Acho que é bem por aí… sua arte paralisou o tempo.
Eu tive a puta honra de conhecer o cara da melhor maneira possível: na arte e em arte. O ano foi 2013. Eu, na ocasião, morava no Rio de Janeiro. O meu amigo, aliado, irmão Edu Planchêz ia tocar com sua banda Blake Rimbaud no Sarau Cultural do Teatro da Gávea, organizado pelo ator Paulo Betti e pelo jornalista Paulo Maia. O evento era disputadíssimo. Muita gente queria vomitar seus versos, suas canções, nesse espaço que celebra a arte. O dia foi muito louco e aqui o intuito é só homenagear Jards Macalé, que nos deixou hoje — um gigante da música que admiro e que, nos bastidores, eu descobri que era realmente um cara phoda e humilde.
Nessa noite aconteceu uma coisa hilária. Toda hora eu saía do camarim pra fumar um cigarro, em respeito aos não tabagistas, e de repente o Macalé saca um baseado gigante à la Bob Marley do bolso, passa pra mim e diz: “Acende aí, maluco!”. Daí pra frente, só loucura. Que baseado bom da porra! Trinquei!
Nesse dia o camarada Wagner Teixeira foi acompanhado de sua companheira Cacau, e apareceram no evento porque eu era muito amigo do Wagner há anos. Inclusive, essa foi a última vez que nos vimos pessoalmente. Na minha primeira ida ao Rio, em 2010, ele foi um dos caras que fiz questão de conhecer pessoalmente. Lembro de uma tarde em Niterói: eu, Wagner, Eduardo Marinho, Winter Bastos e Fábio da Silva Barbosa, recheados de zines e tomando uma num boteco. Nossa! E aquela maconha do Macalé era tão boa que chapei ao ponto de esquecer desses queridos amigos no evento. Não os vi mais. É importante lembrar que Wagner viu a Editora Merda na Mão nascer e, além disso, foi revisor de vários livros nossos e publicou também vários de seus zines conosco.
No canal do YouTubodigestivo postei um corte desse sarau. Dá pra ver Macalé cantando e eu invadindo o palco e ajeitando os quadros. Em um momento, a câmera focaliza bem as telas. Foi um dia louco! Algumas turbulências também! Não é fácil ser Diego El Khouri, o outsider da galáxia de Parnaso. Vá em paz, Macalé! E valeu pelo baseado!
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O artista visual Diego El Khouri expôs seus quadros no show de Jards Macalé — e ainda fumou um baseado com o maluco musical:
O blog culturalMolho Livre, criado pelo artista goiano Diego El Khouri, completa hoje, 12 de outubro de 2025,15 anos de existência, resistência e contracultura na veia da arte independente — somando até hoje o número impressionante de390.325 visualizações e 1.443 postagens,algo ainda mais surpreendente por ter sido criado por um artista tão outsider, movido pela força marginal da criação livre.
Ontem à noite tive a alegria de participar do CRJ Todas as Tribos Podcast, ao lado da minha companheira de vida e parceira de arte, Lívia Batista , idealizadora do Festival de Videodança D’Olhar (@dolharfestival ).
Foi uma conversa intensa e necessária sobre arte, resistência cultural, publicações independentes e as lutas que atravessam nosso fazer artístico em meio a esse caos vigente.
Quero agradecer aos apresentadores Rogério Nery e Natal Daris pela troca de ideia, pelo importante espaço da cena underground e pelo diálogo que fortalece quem acredita no poder transformador da arte.
Seguimos juntos, na rua e na palavra, com a Editora Merda na Mão e com todos que acreditam que a insurgência cultural é fundamental na vida.
Diego El Khouri, 09/09/2025
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Diego El Khouri, neste vídeo, desenha a caricatura do Piratha na primeira página da HQ O Filósofo da Maconha — espaço reservado para retratar o leitor e soltar uma dedicatória exclusiva e explosiva.
Cada pessoa que adquirir a HQ, com 126 páginas, recebe também sua caricatura personalizada logo na primeira página.