Diálogos sobre arte subversiva e subterrânea, com o convidado Diego El Khouri, artista visual e protagonista da Editora Merda na Mão.
🔥 Esta edição acontece em uma data simbólica: no mesmo dia em que a Editora Merda na Mão completa 6 anos de existência e resistência, publicando os impublicáveis e fortalecendo a cena independente.
A exposição Ruas e Cores: Hip-Hop emTela segue em exibição na Cidade de Goiás até o dia 17/04 — e, devido ao sucesso da mostra, teve seu período prolongado — ampliando esse ciclo potente de encontros, trocas e atravessamentos entre arte, ancestralidade, museu e rua.
A mostra mergulha na força do hip-hop goiano, atravessando memória, identidade e transformação — uma expressão que nasce na rua, reverbera na arte e ocupa espaços, tensionando estruturas e abrindo novos caminhos.
Ainda dá tempo de sentir essa presença pulsando de perto.
Artista: Diego El Khouri
Produção cultural e curadoria: Lívia Batista
Site oficial com a pesquisa e as obras do projeto disponível:
* No Museu das Bandeiras, antigo espaço de repressão e encarceramento, ecoa uma história brutal marcada pela violência contra corpos escravizados. Hoje, essa mesma estrutura abriga vozes que resistem — e o hip-hop se inscreve ali como continuidade dessa memória: denúncia, ancestralidade e permanência.
Recentemente anunciei o fim da minha jornada artística. E não, não foi por falta de dinheiro ou de reconhecimento. Com isso eu sempre soube lidar, inclusive com a falta. Nunca tive preguiça de correr atrás, nem fui apegado a essas coisas como a maioria das pessoas costuma ser. O que me atravessava eram outras forças. Coisas mais profundas, mais difíceis de explicar, que estavam me dilacerando por dentro.
Mas naquela mesma postagem recebi um sacode do camarada Eduardo Marinho. Um daqueles sacodes que chegam na hora exata. Foi talvez a melhor coisa que eu poderia ter ouvido naquele dia.
Aquilo me fez parar, pensar e reorganizar o caos.
Agora volto ainda mais intenso. Mais instigante. Com a mesma dedicação radical de sempre. A arte continua sendo para mim o que sempre foi: uma obsessão criativa, louca, subversiva e prazerosa, capaz de incendiar o pensamento insurgente.
Não me subordinar a padrões impostos.
Não domesticar o olhar.
Não pedir licença.
Não abaixar a cabeça.
E, acima de tudo, voltar a pensar em mim mesmo, na minha própria trajetória de vida.
Porque é isso que precisa estar no centro de tudo.
Acima das expectativas dos outros.
Acima das convenções.
Acima de qualquer tentativa de enquadramento.
É daí que devem nascer as escolhas dos meus dias.
Então aguardem.
Porque muita coisa phoda ainda vai rolar por aí.
Diego El Khouri, outsider da galáxia de parnaso; Goiânia, 11/03/2026
No dia 10/04, às 20h, a Conexão Roots recebe Diego El Khouri para um bate-papo sobre arte, literatura independente e cultura underground. A apresentação fica por conta de Cris Roots e JP Roots.
Diego El Khouri é um dos criadores da lisérgica punk Editora Merda na Mão, fundada em 12 de abril de 2020 por Fabio da Silva Barbosa e pelo próprio artista. A editora nasceu com uma missão direta: publicar os impublicáveis.
Trata-se de uma editora independente dedicada a obras ousadas, marginais e sem espaço no mercado editorial tradicional. A Merda na Mão abre caminho para autores e artistas que enfrentam barreiras no circuito convencional, publicando livros, zines, HQs e poesia com uma estética profundamente subversiva, cultural e underground.
Em quase seis anos de atividade editorial, já são mais de 50 publicações, somando cerca de 60 títulos.
Entre suas características marcantes estão:
Publicação gratuita para autores, algo raro no cenário editorial.
Atuação multiforme, envolvendo livros, zines, distro, eventos e presença em feiras culturais.
Projetos ligados à editora, como o selo musical Ruídos Absurdos, voltado para a cena noise, hardcore e experimental.
Distribuição de CDs e materiais de bandas do underground.
Durante o programa, o público também poderá participar enviando perguntas ao convidado, tornando o bate-papo ainda mais direto e interativo.
Falta pouco pra nascer essa besta feroz chamada HQ XXI.
Um quadrinho de fôlego, 220 PÁGINAS, cuspindo vísceras no fim do mundo.
Roteiro e desenho de Diego El Khouri , o outsider da Galáxia de Parnaso — feito com toda a intensidade possível, acreditando ser seu último trabalho artístico produzido nesta vida.
Nada contido. Nada seguro.
Roteiro brutal e sangrento de Fabio da Silva Barbosa, editor do zine Reboco Caído.
Diagramação cuidadosa e potente de Lívia Batista , idealizadora do Mova-se Projetos Culturais.
HQ XXI expõe as chagas: fé apodrecida, carne em colapso, século sinistro em convulsão.
O projeto Ruas e Cores – Hip-Hop em Tela têm como objetivo valorizar a cultura hip-hop na nossa sociedade goiana. E, como forma de começar esse movimento, nada melhor do que realizar a primeira mostra no Museu das Bandeiras, um espaço cheio de significado.
O hip-hop nasce da rua, das vivências, das histórias e da força de quem transforma a realidade em arte.
O Museu das Bandeiras, por sua vez, é um lugar que já foi cadeia há muitos anos, onde pessoas eram presas e viviam situações difíceis. É um espaço marcado da presença e resistência da população negra.
Por isso, levar o hip-hop para dentro desse museu tem muita potência. É o movimento saindo da rua e ocupando um lugar histórico, mostrando o valor da cultura, das pessoas e de quem faz essa história acontecer todos os dias.