quinta-feira, 12 de março de 2026

Relato de um artista que se recusou a morrer

  Recentemente anunciei o fim da minha jornada artística. E não, não foi por falta de dinheiro ou de reconhecimento. Com isso eu sempre soube lidar, inclusive com a falta. Nunca tive preguiça de correr atrás, nem fui apegado a essas coisas como a maioria das pessoas costuma ser. O que me atravessava eram outras forças. Coisas mais profundas, mais difíceis de explicar, que estavam me dilacerando por dentro.

Mas naquela mesma postagem recebi um sacode do camarada Eduardo Marinho. Um daqueles sacodes que chegam na hora exata. Foi talvez a melhor coisa que eu poderia ter ouvido naquele dia.
Aquilo me fez parar, pensar e reorganizar o caos.
Agora volto ainda mais intenso. Mais instigante. Com a mesma dedicação radical de sempre. A arte continua sendo para mim o que sempre foi: uma obsessão criativa, louca, subversiva e prazerosa, capaz de incendiar o pensamento insurgente.
Não me subordinar a padrões impostos.
Não domesticar o olhar.
Não pedir licença.
Não abaixar a cabeça.
E, acima de tudo, voltar a pensar em mim mesmo, na minha própria trajetória de vida.
Porque é isso que precisa estar no centro de tudo.
Acima das expectativas dos outros.
Acima das convenções.
Acima de qualquer tentativa de enquadramento.
É daí que devem nascer as escolhas dos meus dias.
Então aguardem.
Porque muita coisa phoda ainda vai rolar por aí.

Diego El Khouri, outsider da galáxia de parnaso; Goiânia, 11/03/2026




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Alguns comentários de apoio:










quarta-feira, 11 de março de 2026

Diego El Khouri no Conexão Roots falando de arte underground e literatura independente

  



No dia 10/04, às 20h, a Conexão Roots recebe Diego El Khouri para um bate-papo sobre arte, literatura independente e cultura underground. A apresentação fica por conta de Cris Roots e JP Roots.

Diego El Khouri é um dos criadores da lisérgica  punk Editora Merda na Mão, fundada em 12 de abril de 2020 por Fabio da Silva Barbosa e pelo próprio artista. A editora nasceu com uma missão direta: publicar os impublicáveis.

Trata-se de uma editora independente dedicada a obras ousadas, marginais e sem espaço no mercado editorial tradicional. A Merda na Mão abre caminho para autores e artistas que enfrentam barreiras no circuito convencional, publicando livros, zines, HQs e poesia com uma estética profundamente subversiva, cultural e underground.

Em quase seis anos de atividade editorial, já são mais de 50 publicações, somando cerca de 60 títulos.

Entre suas características marcantes estão:

  • Publicação gratuita para autores, algo raro no cenário editorial.

  • Atuação multiforme, envolvendo livros, zines, distro, eventos e presença em feiras culturais.

  • Projetos ligados à editora, como o selo musical Ruídos Absurdos, voltado para a cena noise, hardcore e experimental.

  • Distribuição de CDs e materiais de bandas do underground.

Durante o programa, o público também poderá participar enviando perguntas ao convidado, tornando o bate-papo ainda mais direto e interativo.

Instagram da rádio: https://www.instagram.com/web.radio.jp_roots67?igsh=MXZ6bXVoOGpjN3cwYg==


https://editoramerdanamao.blogspot.com/


sábado, 31 de janeiro de 2026

HQ XXI — A história em quadrinhos mais corajosa, visceral e pesada que você vai ler!!

 


Falta pouco pra nascer essa besta feroz chamada HQ XXI.

Um quadrinho de fôlego, 220 PÁGINAS, cuspindo vísceras no fim do mundo.

Roteiro e desenho de  Diego El Khouri , o outsider da Galáxia de Parnaso — feito com toda a intensidade possível, acreditando ser seu último trabalho artístico produzido nesta vida.

 Nada contido. Nada seguro.



Roteiro brutal e sangrento de Fabio da Silva Barbosa, editor do zine Reboco Caído.

Diagramação cuidadosa e potente de  Lívia Batista , idealizadora do Mova-se Projetos Culturais.


HQ XXI expõe as chagas: fé apodrecida, carne em colapso, século sinistro em convulsão.

Isso não é só um quadrinho. É um delírio final.


Em breve. 

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

Ruas e Cores: Hip-Hop em Tela ocupa o Museu das Bandeiras

 


Artista: Diego El Khouri 
Produção cultural e curadoria: Lívia Batista 

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O projeto Ruas e Cores – Hip-Hop em Tela têm como objetivo valorizar a cultura hip-hop na nossa sociedade goiana. E, como forma de começar esse movimento, nada melhor do que realizar a primeira mostra no Museu das Bandeiras, um espaço cheio de significado.

O hip-hop nasce da rua, das vivências, das histórias e da força de quem transforma a realidade em arte.
O Museu das Bandeiras, por sua vez, é um lugar que já foi cadeia há muitos anos, onde pessoas eram presas e viviam situações difíceis. É um espaço marcado da presença e resistência da população negra.



Por isso, levar o hip-hop para dentro desse museu tem muita potência. É o movimento saindo da rua e ocupando um lugar histórico, mostrando o valor da cultura, das pessoas e de quem faz essa história acontecer todos os dias.

        Lívia Batista,  a curadora 




📍 Lançamento da exposição
🗓 14 de dezembro
⏰ Das 9h às 13h
📌 Museu das Bandeiras — Cidade de Goiás

Um encontro entre arte, história e resistência.
Você é nosso convidado.







@movasecultura







quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O dia que o artista visual Diego El Khouri fumou maconha com o Jards Macalé

 Por Diego El Khouri 


Jards Macalé (1943–2025) transmutou-se em poesia. Atravessou o Lete, o rio do esquecimento, mas sua arte permanecerá viva sempre. Esse cancioneiro, outsider da contracultura, o malandro que virou a MPB do avesso, deixou marcas profundas em todos nós: vagabundos de almas sensíveis, transgressivas e imorais. Fez da dissonância um tapa na cara e do violão um estilingue. Macalé não canta pra agradar: canta pra cutucar. Sua melodia torta ecoa em nossos ouvidos e, a cada acorde musical, nossa vida se transforma. Um dia eu li em algum lugar: o homem morre e a obra fica. Acho que é bem por aí… sua arte paralisou o tempo.


Eu tive a puta honra de conhecer o cara da melhor maneira possível: na arte e em arte. O ano foi 2013. Eu, na ocasião, morava no Rio de Janeiro. O meu amigo, aliado, irmão Edu Planchêz ia tocar com sua banda Blake Rimbaud no Sarau Cultural do Teatro da Gávea, organizado pelo ator Paulo Betti e pelo jornalista Paulo Maia. O evento era disputadíssimo. Muita gente queria vomitar seus versos, suas canções, nesse espaço que celebra a arte. O dia foi muito louco e aqui o intuito é só homenagear Jards Macalé, que nos deixou hoje — um gigante da música que admiro e que, nos bastidores, eu descobri que era realmente um cara phoda e humilde.

Nessa noite aconteceu uma coisa hilária. Toda hora eu saía do camarim pra fumar um cigarro, em respeito aos não tabagistas, e de repente o Macalé saca um baseado gigante à la Bob Marley do bolso, passa pra mim e diz: “Acende aí, maluco!”. Daí pra frente, só loucura. Que baseado bom da porra! Trinquei!

Nesse dia o camarada Wagner Teixeira foi acompanhado de sua companheira Cacau, e apareceram no evento porque eu era muito amigo do Wagner há anos. Inclusive, essa foi a última vez que nos vimos pessoalmente. Na minha primeira ida ao Rio, em 2010, ele foi um dos caras que fiz questão de conhecer pessoalmente. Lembro de uma tarde em Niterói: eu, Wagner, Eduardo Marinho, Winter Bastos e Fábio da Silva Barbosa, recheados de zines e tomando uma num boteco. Nossa! E aquela maconha do Macalé era tão boa que chapei ao ponto de esquecer desses queridos amigos no evento. Não os vi mais. É importante lembrar que Wagner viu a Editora Merda na Mão nascer e, além disso, foi revisor de vários livros nossos e publicou também vários de seus zines conosco.

No canal do YouTubodigestivo postei um corte desse sarau. Dá pra ver Macalé cantando e eu invadindo o palco e ajeitando os quadros. Em um momento, a câmera focaliza bem as telas. Foi um dia louco! Algumas turbulências também! Não é fácil ser Diego El Khouri, o outsider da galáxia de Parnaso. Vá em paz, Macalé! E valeu pelo baseado!

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O artista visual Diego El Khouri expôs seus quadros no show de Jards Macalé — e ainda fumou um baseado com o maluco musical:




Sarau Cultural no Teatro da Gávea,  RJ:




domingo, 12 de outubro de 2025

Molho Livre: quinze anos acendendo ideias nas sarjetas do ciberespaço — um blog que respira desobediência e jamais pediu licença pra existir

  O blog cultural Molho Livre, criado pelo artista goiano Diego El Khouri, completa hoje, 12 de outubro de 2025, 15 anos de existência, resistência e contracultura na veia da arte independente — somando até hoje o número impressionante de 390.325 visualizações e 1.443 postagens, algo ainda mais surpreendente por ter sido criado por um artista tão outsider, movido pela força marginal da criação livre.




https://molholivre.blogspot.com/